Era apenas sombra. Vez ou outra, um casaco cor de céu nublado por cima. Nos pés, o que a deixasse mais próxima ao chão. Talvez descalça. Talvez submersa. Era de baixa estatura. Talvez duende. Talvez fada. Malandra. O capuz não me deixava enxerga-la. Talvez propositalmente. Quem sabe sem boca. Quem sabe só olhos e ouvidos. Solitária? Silenciosa. Lápis sem borracha, diário sem cadeado, melodia sem letra. Pra quem quiser ler. Pra quem quiser ouvir. Mas ninguém pára. Ninguém escuta. Ninguém lê. Ninguém nem, ao menos, a viu.